A Coluna FALA TRICONAUTA é democrática, onde todas as correntes de pensamento poderão opinar, desde que não existam ofensas pessoais e haja um mínimo de respeito e decência nas entrelinhas, além de ser um texto interessante, é claro!
Vamos lá, estamos aguardando seu texto, mande pra gente no endereço semprebahia@semprebahia.com e escreva no corpo da mensagem: “Autorizo a publicação desse texto na Coluna Fala Triconauta do site SEMPREBAHIA.COM”. O texto estará sujeito à nossa edição.
Taça Brasil e o seu verdadeiro legado
Há 50 anos, após uma das mais emocionantes partidas que o Maracanã já teve a honra de prestigiar, viu-se, lidas em letras garrafais, a primeira página do jornal O Globo: “Santos não foi digno de oponente e caiu.”
Após as excelentes matérias do Correio da Bahia publicadas em homenagem aos 50 anos da conquista, aliado ao que já sabia de cada craque (com todas as letras), chego a seguinte a conclusão, meus amigos: Nadinho, Leone, Henrique, Beto, Flávio, Nenzinho, Mário, Vicente, Marito, Alencar, Léo e Biriba são, acima de tudo, HERÓIS.
Não importa a ignorância dos locutores esportivos dos rádios baianos de chamarem o antigo nome do campeonato brasileiro de “Taça do Brasil” ou “Copa do Brasil”, não sei se por ignorância ou por torcerem para o outro time, aquele lá de canabrava, mas felizmente a opinião deles está abaixo do ridículo, pois o Bahia de 1959 é composto por heróis.
Estamos falando de uma época em que o inexplicável preconceito com o nordestino era ainda maior, estamos nos referindo a uma época em que nem sequer existiam cartões amarelos (para se ter uma idéia, Pelé teve a perna quebrada duas vezes na Copa de 62, no Chile), de que as mais torpes faltas eram feitas e eram lances normais de jogo e em que tudo era voltado ao eterno Eixo Rio/São Paulo, ainda mais o Rio naqueles idos.
Para quem não sabe, na seleção da Copa de 30, no Uruguai, apenas um único e solitário paulista foi para a seleção, o grande Araken Patuska, do Santos, o garoto que na época, fez parte do ataque dos 100 gols do campeonato Paulista. Enquanto paulistas celebravam a derrota da “seleção carioca” no Uruguai, Teixeira Gomes, Leônidas, Odilon, Milton, Canoa, Gia, Rubinho, Raul, Gambarrota, Guarany e Bayma estavam no campo da Graça, em fins de 31 e, lá mesmo, derrotariam o então poderoso Ypiranga. O Bahia faria juz ao seu lema: “Nasceu para vencer”, com direito a Teixeira Gomes defender um pênalti.
Se o preconceito e a mesquinharia não fossem tão grandes, Teixeira Gomes no mínimo teria sido titular da Seleção de 34. Para quem não sabe, Teixeira Gomes foi goleiro titular da seleção estadual da Bahia, onde o Esporte Clube Bahia cedeu 8 (oito) jogadores para o campeonato de seleções estaduais e a Bahia foi a única do Nordeste a ser campeã desse tipo de competição. A finalíssima, foi contra a Seleção Fluminense, a mesma que, com a excessão de Araken Patuska, tinham apenas jogadores da Cidade Maravilhosa.
Contam os mais vividos que mesmo derrotando o Vasco, este que ainda herdava os efeitos do Expresso da Vitória de 48 e o time da Copa de 50, a massa azul, vermelha e branca não se via capaz de ser campeã de nada, a famosa “síndrome de cachorro viralata” descrita por Nelson Rodrigues.
Isso, é algo que ninguém ainda viu: todo o preconceito, o desprezo e desdém que todos os homens daquela equipe passaram, apenas por uma única coisa: por serem baianos. Creio que, apenas aqueles homens saberão e sentirão sempre que lembrarem da final, do gosto e sentimento de vingança por todo tipo de piadas de mal gosto, insultos e provocações e faltas desleais, que certamente não foram poucas.
O Bahia daqueles idos, está para sempre no futebol brasileiro, sulamericano e mundial, doa a quem doer.
No futebol BRASILEIRO, pois quebra radicalmente a política egoísta do Sul/Sudeste e o Eixo passa a se curvar e ter que disputar e dividir seus campeonatos com o resto do país e derrota um futuro Rei do futebol, que já se mostrava aquilo que é nos dias de hoje: fora de campo, um horror.
SUL-AMERICANO, pois foi o PRIMEIRO clube brasileiro a disputar uma Libertadores, tomou uma vaga que o Santos julgava ser sua de fato e de direito e este pagou pela sua arrogância e o Bahia escreveu o seu nome em letras de ouro no continente. Não interessa – e nem é o caso – falar se foi longe ou não, fato é que abriu as porteiras para todos usufruirem do prestígio que a Libertadores hoje tem a dar.
O feito que o time baiano fez e o que clubes do calibre de Peñarol, Boca Juniors e seleções do renome de Hungria, Iuguslávia ou Alemanha nunca fizeram: marcar o Rei do futebol sem um carrinho desleal, sem uma jogada suja, jogando e indo inteira e integralmente na bola e nada mais. E que se conte nos dedos aqueles que ganharam do Santos na Vila Belmiro e de maneira tão humilhante como foi feita. E apenas os tolos, os toscos nunca verão… nunca verão que o Esporte Clube Bahia de 1959 foi, acima de tudo, um dos maiores times que o futebol brasileiro viu em todos os tempos!!
Expresso da Vitória, Academia Celeste, Academia Palmeirense, Santos de Pelé, Botafogo de Garrincha… e façam o favor de colocar o primeiro esquadrão campeão brasileiro nessa história! Senão o fosse digno, jamais teria derrotado o alvinegro praiano, como nunca teria em seu maior santuário, a Fonte Nova, ouvido os comentários de Nilton Santos, o maior lateral esquerdo de todos os tempos de “vamos jogar na retranca, para não sermos ainda mais massacrados por esse time!”, válido pelo campeonato brasileiro de 1963
Quem não se comove com o amor de Biriba pelo Bahia e peitando Bellini no Maracanã? Em quem não dá lágrimas nos olhos em ver seu Marito, ainda hoje com emoção e orgulho, abraçar a taça como o mais valioso dos presentes que já ganhou na vida? É inegável acima de tudo, que o Esquadrão de Aço esteve num patamar que nem Palmeiras, São Paulo, Grêmio, Inter, CAM, Cruzeiro ou qualquer outra equipe do Brasil teve: o de estar representando nosso país na mais importante competição do continente, em ser, ainda mais, uma pedra no sapato de Pelé, que tentou o diabo para desmoralizar o time baiano, ainda mais no gol mil, felizmente não realizado na Fonte Nova, graças a Nildo e Baiaco, que lhe parou no jogo limpo.
Mas aí diriam alguns “Ah, mas tomou 6×0 do Sport” não interessa o choro: o time pernambucano achava a classificação como favas contadas e mandou confeccionar o troféu de um leão abocanhando um veado de quase 20 quilates para comemorar o zonal norte/nordeste. Esqueceram porém, de combinar com Léo e Marito, que fizeram festa em 59 na própria Ilha do retiro mesmo e faria o Bahia de novo em 63. Que preço alto pago pela arrogância.
Quem não se sente emocionado com os relatos do Maracanã torcendo pelo Bahia, seja no braço, seja na bola, como o foi no aniversário da cidade de São Salvador ou ainda a raposa sábia que era Osório Villas Boas, antes relutante, mas eternamente feliz e em paz consigo mesmo, por ter contratado Léo Briglia e ter ido apertar as suas mãos com lágrimas nos olhos?
Pouco importa o que pessoas de cárater duvidoso ou de visão tosca, como Paulo Vinicius Coelho (PVC) ou a mesma mídia do Eixo, sempre provinciana e primitiva tenha a dizer. Pouco importa se a CBF (que herdou 3 copas do mundo da CBD, quem organizou a Taça Brasil) tenha a dizer: felizmente, não são eles os responsáveis pela escritura da história e esta falará mais alto nessa questão para sempre.
Doa a quem doer, mas o Bahia é o primeiro campeão brasileiro e essa será para sempre o maior feito de um time do Nordeste, que o feito de derrotar o Maior time da História em seus redutos e o seu pioneirismo e feitos únicos até mesmo no futebol mundial.
Dos anos 60, creio que apenas existam apenas duas lamentações daqueles grandes homens e gênios da bola, pois para fazer o que fizeram, eram pra ter sido no mínimo, gênios.
Gênios, que num país injusto como o Brasil, se corra o risco de serem esquecidos (de minha parte, lutarei enquanto puder para que isso não aconteça) e que só podem se lamentar de duas coisas apenas: de não terem sido bi, tri, tetra campeões brasileiros e creio que o arrependimento maior de não terem sido campeões continentais, de não terem ganho a libertadores da américa. Pois nos anos 60 e em 89, só se pode lamentar isso no Bahia: o fato de não ter tido sido os reis do continente.
Vergonhoso pensar que, enquanto homens como esse são esquecidos, árbitros de atuação e cárater duvidoso no passado, hoje estão programas de televisão e sendo pintados como homens de bem.
De maneira ainda mais épica e lendária, contra tudo e contra todos, o primeiro campeonato brasileiro da história está nas mãos de quem mereceu e não haverá NADA que irá mudar isso, seja a CBF, Ricardo Teixeira, Fifa ou o choro daquele time que já conhecemos, aquele time que seu nome é totalmente contraditório a sua trajetória: apenas derrotas. A quem desmerecer, apenas terei apenas a lamentar pela sua inveja.
Foi e é acima de tudo a resposta para quem quer insinuar que o futebol nordestino era medíocre (como o é nos dias de hoje) naqueles idos e que um time do Nordeste nunca ganha por méritos e sim pela “raça e apenas ela, aliada ao apoio da torcida”. Foi e é responsável pela mudança do baiano, ou ao menos do torcedor do Bahia, em sempre acreditar que se tem o direito de ser visto e campeão tanto quanto os clubes do Sul/Sudeste. Foi e sempre será o time que Pelé falará com gosto amargo na boca, sem engolir a vitória humilhante na Vila.
O Bahia de 1959 foi símbolo máximo do que a posteridade hoje já pode enxergar, como detentor da maior novidade e acontecimento que o apito mal intencionado e a imprensa chinfrim fez e faz questão de apagar e freiar e na prática stalinista de se reescrever a história: o Bahia foi acima de tudo, símbolo e representação máxima do progresso.
Caio Graco Brasileiro
Leitor do www.semprebahia.com
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Emocionante! Só quem é tricolor sabe o peso deste texto!
Parabéns, Caio!
ST!
08/04 às 13:12
Parabén, Caio!
Parabéns por defender de forma tão emocionante essa façanha que nos deu a enorme honra: SER O PRIMEIRO CAMPEÃO BRASILEIRO!!!!!!
08/04 às 17:54
Seu relato nos faz ver mais uma vez o que nosso time foi no passado. Hoje não nem figura genérica do que foraa outrora, contudo ainda sou torcedor, sócio e nao guardo minhas palavras para um futuro melhor. E mais uma vez obrigado pelo seu testemunho emocionante!
09/04 às 17:37
Pois é… Grande Bahia! O de outrora, pois o de agora…
Nem sombra, só dúvida, interrogação.
Que não são poucas.
Mas a mãe de todas elas é aquela que se resume no porquê…
?
Por que negar a quem nasceu pra vencer – e nasceu vencendo – a esperança de continuar cumprindo sua missão primordial?
10/04 às 0:02
Caio foi muito emocionante ler o seu texto.. Eu fico revoltado quando escuto a mediocre imprensa baiana falar que o Bahia foi campeão em 88 com um time modesto. Isso me dá raiva e arrepios. Esses desgraçados tem um dispeito tremendo do esquadrão. Quanto ao título de 59 é outra injustiça dessa imprensa, dominada pelo rival. Mas o torcedor tem mais é que falar desses dois títulos e dizer que ambas as equipes, a de 59 e a de 88 eram compostas de craques. E somos bi campeão brasileiro. BI CAMPEÃO BRASILEIRO.
10/04 às 10:33
Agradeço aos elogios dos que comentaram ou quem esteja repasando essa análise e relembrando alguns aspectos pertinentes que haviam naquela época dourada por um lado, sombria por outros.
Digo ao tricolor Guima que não se incomode tanto em relação a isso: essa é uma atitude calcada na inveja e despeito e um pitadinha de preconceito também.
Se fosse o time do Lixo aqui na Bahia, Flamengo ou Corinthians, certamente a vitória contra o Santos de Pelé ou a humilhação no Beira Rio seriam vistas com outros olhos.
Qualquer coisa, apenas diga do respeito de Edu Lima por nós em 88 ou qualquer outro torcedor de qualquer outro clube que não foi o Bahia e que viu aquele timaço: Vasco, Fluminense, Flamengo e por aí vai. Ora, até os colorados nos aplaudiram no Beira Rio!!
Até Pepe, o Canhão da Vila dá o seu reconhecimento no jornal A Tarde.
Tolos como Kléber Machado, a rádio baiana e demais energuménos estão abaixo do medíocre. Não ligue, pois a INVEJA do que o Bahia fez e dos horizontes mais amplos que teria obtido senão fosse aquele homem de roupa preta, cartões amarelo e vermelho e de apito na boca.
ST
10/04 às 22:13
Parabéns pelo texto que, sem dúvida, demonstrou um trabalho de pesquisa e da mais extrema realidade.
Sem sombra de dúvidas, o não reconhecimento oficial, por parte da CBF (sucessora da CBD – Confederação Brasileira de Desportos), então organizadora do evento, deve-se ao fato de que O PRIMEIRO CAMPEÃO BRASILEIRO foi um time do Nordeste.
Isso, inclusive, incomoda muito a imprensa daquelas plagas, Sul e Sudeste, haja vista que sequer comentaram tão importante cinquentenário comemorativo.
Mais ainda, não foi um título qualquer, foi vencido sobre o todo poderoso Santos, que já era tido como campeão antes mesmo de acabar a competição.
Por essas e por outras, deve o BAHIA orgulhar-se de tão grandioso passado e soerguer-se para voltar a ser o eterno ESQUADRÃO DE AÇO, que, sem dúvida, NASCEU PARA VENCER.
SAUDAÇÕES TRICOLORES
21/04 às 12:56
A impresa sulista acha que os clubes de lá são melhores,que a imprensa é a melhor do Brasil e por isso ficam P da vida por nosso esquadrão ser o primeiro campeão Brasileiro.Além disso somos o primeiro representante brasileiro na libertadores.Somos BI Brasileiro e eles terão que nos engolir.
08/05 às 19:05