Sempre presente na vida do primeiro campeão brasileiro.

  • [ENTREVISTA] Filho do 1º goleiro tricolor solta o verbo

JOÃO CARLOS TEIXEIRA GOMES


04/10 - 21:07  Por: Euclides Almeida

O TERRA MAGAZINE, comandado por BOB FERNANDES, publicou uma excelente entrevista com o Jornalista JOÃO CARLOS TEIXEIRA GOMES, filho do primeiro goleiro a defender as cores do Bahia, Teixeira Gomes.

Confira a matéria na íntegra:

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Alcançava todas as bolas. No jargão futebolístico dos anos 30, o primeiro goleiro do Esporte Clube Bahia, Teixeira Gomes, era “uma antena”. Pegava tudo.

Naquela tarde do Campo da Graça, mítico e extinto gramado de Salvador, a antena tricolor contrariou o epíteto e sofreu um frango. Ora vá, torcida. O corpulento goleiro passou a reagir às vaias com bananas e ofensas. No campo em que, anos mais tarde, o cronista Antonio Maria irradiaria outras pelotas, ele seria capaz de irromper uma batalha para honrar sua fama de arqueiro. Revoltados, os torcedores avançaram contra Teixeira Gomes e suas bananas.

Hora do folhetim: à beira do gramado, num carro, o dono do cinema Jandaia, João Oliveira, acompanhava o jogo com suas filhas, como num corso carnavalesco. Em solidariedade, ofereceu abrigo ao fugitivo no automóvel, ao lado de suas pequenas. Desse frango nasceria um casamento: entre respirações sobressaltadas, Teixeira Gomes se enamorou por Célia, uma das filhas de Oliveira.

O escritor e jornalista João Carlos Teixeira Gomes nasceu dessa fuga e desse encontro improvisado. Nascido em 1936, filho de um dos primeiros ídolos do Bahia, Joca, como é conhecido desde os tempos da Geração Mapa - protagonizada pelo cineasta Glauber Rocha -, deve ao tricolor baiano o primeiro respiro de vida. Agora que o clube esboça um retorno à Série C, depois de perder em casa para o Duque de Caxias (2×1), e vive uma decadência sem precedentes, Joca se integra atemporalmente ao Batalhão dos Periquitos, grupo de baianos que atuou no expurgo das tropas portuguesas em 1823, para conclamar:

- Que a torcida do Bahia incorpore o espírito revolucionário dos baianos do 2 de Julho e se una nas ruas, nas praças, pressionando nas rádios, na internet e nos jornais, os incompetentes que afundam um clube glorioso, para estabelecer a grande e definitiva reação, pois o Bahia hoje depende, exclusivamente, do amor e do poder da sua torcida.

Autor da melhor biografia de Glauber e de competente ensaio sobre a obra de João Ubaldo Ribeiro, Teixeira Gomes promove disparos telefônicos aos amigos a cada derrota humilhante. Fundado em 1931, o Esporte Clube Bahia caiu para a Terceira Divisão em 2005 e neste outubro beira outra vez o rebaixamento para o quinto círculo do inferno. O escritor ressalta: a crise do tricolor é um “fenômeno social”.

- O Bahia não é apenas um clube esportivo, mas uma força social no Estado da Bahia.

Presidido pelo deputado federal Marcelo Guimarães Filho (PMDB) - primogênito do empresário e ex-deputado preso pela Polícia Federal em 2007, Marcelo “pai” -, o clube é dominado há décadas pelo mesmo grupo, que não esboça afastamento e até absorve os opositores. Patrimônio alienado, trocas frenéticas de técnicos, atrasos no pagamento dos jogadores, humilhações sucessivas, constelação medíocre e continuísmo de cartolas. Teixeira Gomes diagnostica:

- São notoriamente pessoas absolutamente incompetentes para soerguer um clube que vem sofrendo uma desmoralização continuada e intolerável para sua imensa torcida. Basta vermos que as sucessivas diretorias incompetentes, dentro dessa linha de continuísmo, não foram sequer capazes de fazer do Bahia uma equipe de competência média para disputar os torneios locais e nacionais.

Leia a íntegra da entrevista com o tricolor João Carlos Teixeira Gomes, ex-editor-chefe do Jornal da Bahia e autor, entre outros livros, de “Tempestade Engarrafada”, de “Glauber Rocha, esse vulcão”, do best-seller “Memórias das Trevas” e do romance recém-lançado “Assassinos da Liberdade”.

TERRA MAGAZINE:
Em colapso administrativo, o Esporte Clube Bahia perdeu em casa para o Duque de Caxias e agora corre o risco de voltar para a Terceira Divisão. Filho do primeiro goleiro do clube e torcedor extremado do tricolor baiano, como o senhor analisa a derrocada do Bahia?

JOÃO CARLOS TEIXEIRA GOMES:
É preciso notar, em primeiro lugar, que o Bahia não é apenas um clube esportivo, mas uma força social no Estado da Bahia. Basta que se dimensione a grandeza da torcida de um clube que, por si só, é capaz de encher um estádio das dimensões da Fonte Nova, como ficou patente para todo o Brasil, mais uma vez, no episódio da queda da arquibancada da Fonte Nova em 2007 (no jogo contra o Vila Nova).

Ora, diante de um fenômeno dessa envergadura, é inconcebível que sucessivas diretorias incompetentes, notoriamente vinculadas aos interesses e às ambições do senhor Paulo Maracajá (ex-presidente do clube e atual conselheiro do Tribunal de Contas dos Municípios), venham levando em progressão ininterrupta um clube dessa força popular à completa desmoralização e à decepção profunda da sua torcida. O sofrimento hoje da grande massa que se identifica com o Bahia, pelas cores do clube e pelas suas tradições de vitórias, inclusive com dois campeonatos brasileiros, no rol de suas conquistas, é um fato que transcende a esfera puramente esportiva para se transformar num verdadeiro trauma da sociedade baiana.

TERRA MAGAZINE:
O senhor fala em “trauma da sociedade baiana” e isso me leva a perguntar se a decadência do tricolor não está vinculada à própria mediocridade cultural e econômica da Bahia, que vive uma estagnação cultural profunda?

JOÃO CARLOS TEIXEIRA GOMES:
Não vejo não. Vejo no plano esportivo. Como jornalista, mais do que como torcedor, vejo a decadência do Bahia como consequência de uma espantosa incapacidade administrativa, que foi acentuada a partir dos 7 x 0 que o clube tomou na Fonte Nova em jogo contra o Cruzeiro, na gestão de Marcelo Guimarães, o pai (em 2003). Dali começou o Bahia a despencar para as divisões inferiores, sem capacidade de organizar sequer um time de futebol que mantivesse ao menos as tradições locais, de conquistas de campeonatos na Bahia.

TERRA MAGAZINE:
O atual presidente do clube, que contou com muitas simpatias políticas, é filho do ex-presidente Marcelo Guimarães, que foi preso numa operação da Polícia Federal, a Jaleco Branco. A crise se origina também dessa incapacidade de se renovar?

JOÃO CARLOS TEIXEIRA GOMES:
Exatamente. Não tem havido renovação. A incapacidade de renovação administrativa se deve à permanência do grupo que, sob a chefia hoje dissimulada de Paulo Maracajá, incluiu depois uma figura sem a menor tradição no clube que foi o senhor Petrônio Barradas, sequenciando a desastrosa gestão do ex-deputado estadual Marcelo Guimarães e hoje continuada por seu filho. São notoriamente pessoas absolutamente incompetentes para soerguer um clube que vem sofrendo uma desmoralização continuada e intolerável para sua imensa torcida. Basta vermos que as sucessivas diretorias incompetentes, dentro dessa linha de continuísmo, não foram sequer capazes de fazer do Bahia uma equipe de competência média para disputar os torneios locais e nacionais. Há um dispêndio enorme de contratações de jogadores sem condições de vestir a camisa do Bahia, distanciados das tradições do clube, técnicos improvisados e, sobretudo, dispersando os recursos imensos que o clube angaria pela fidelidade da sua torcida. Medianamente administrado, com políticas realísticas em relação ao novo estágio do futebol brasileiro, o Bahia seria um clube auto-suficiente e com um substancial patrimônio físico.

TERRA MAGAZINE:
E, no entanto…

JOÃO CARLOS TEIXEIRA GOMES:
Não tem nem mais acomodações dignas para seus jogadores, vai perdendo progressivamente o pequeno patrimônio que construiu ao longo dos anos, sem direito a nunca ter tido um grandioso estádio que suas tradições impunham. O conjunto desses fatos aponta para o absoluto despreparo da camarilha que ao longo de todos esses anos vem desgovernando o Esporte Clube Bahia, tendo chegado ao cúmulo de contratar um ex-dirigente do Esporte Clube Vitória (Paulo Carneiro), já expulso das fileiras do clube rival para comandar o setor de futebol do Bahia. Esqueceram-se de que esse mesmo dirigente, quando presidente do Vitória, humilhava a diretoria do Bahia nos jogos do estádio Barradão, não mencionando no letreiro sequer o nome do Bahia, que era simplesmente “o visitante”.

TERRA MAGAZINE:
Paulo Carneiro, que agora foi defenestrado também do Bahia, afirmou que o tricolor tinha uma torcida de “suburbanos”.

JOÃO CARLOS TEIXEIRA GOMES:
(risos) Essa eu não sabia! Ele punha “visitante” no letreiro…

TERRA MAGAZINE:
Apesar da crise evidente, há uma movimentação de velhos opositores para aderir ao grupo de Marcelo Guimarães Filho. Alguns eram até raivosos. Como definir esse ensaio de adesão?

JOÃO CARLOS TEIXEIRA GOMES:
Uma coisa espantosa! Essa aproximação é uma coisa espantosa e infunde a desesperança entre a sofrida torcida do Bahia. Creio mesmo que, ao lado dos interesses permanentes de retorno do senhor Paulo Maracajá, apostando no caos para aparecer como salvador da pátria, está a ausência de uma oposição unida e capaz de trabalhar contra a atual diretoria para o soerguimento do clube. É um dos fatores que respondem pela permanência de longo tempo dos coveiros, porque não há uma proposta concreta de reação capaz de empolgar a torcida e levá-la outra vez para as ruas como em 2006. O torcedor do Bahia é hoje um desesperançado.

 

TERRA MAGAZINE:
Você aceitaria ver um jogo do Bahia?

JOÃO CARLOS TEIXEIRA GOMES
Para mim, ver o Bahia jogar sempre foi uma alegria imensa, pois me acostumei desde criança a ver o uniforme glorioso que meu pai vestiu como goleiro e fundador. Mas eu sou, sobretudo, amante do bom futebol, do futebol bem jogado, e os times que essas sucessivas diretorias incompetentes têm organizado nos últimos anos é de uma mediocridade de campos de interior atrasado.

TERRA MAGAZINE:
Como se diz na Bahia, times pra “um baba”?

JOÃO CARLOS TEIXEIRA GOMES:
De babas, ou para o público do Sul do País, de peladeiros desastrosos.

TERRA MAGAZINE:
Houve passeata de torcedores, protestos, mas há apenas, neste momento, uma apatia, um desalento. Qual o último recurso dos torcedores?

JOÃO CARLOS TEIXEIRA GOMES:
Uma boa pergunta. Em 1823, os baianos se uniram para expulsar os portugueses recalcitrantes, que permaneciam em Salvador e tentavam desunir o País. Que a torcida do Bahia incorpore o espírito revolucionário dos baianos do 2 de Julho e se una nas ruas, nas praças, pressionando nas rádios, na internet e nos jornais, os incompetentes que afundam um clube glorioso, para estabelecer a grande e definitiva reação, pois o Bahia hoje depende, exclusivamente, do amor e do poder da sua torcida, porque da sua diretoria há longo tempo só tem encontrado traição. Pois é isso exatamente o que são os diretores, a partir de Marcelo Guimarães pai e filho, Petrônio Barradas e todos os demais maracajistas (seguidores de Paulo Maracajá): traidores das glórias e de toda a rica trajetória do Esporte Clube Bahia.



  • 8 Comentários



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  • ERNANI RODRIGUES disse:

    A mediocridade de um defenestrado presidente em contratar um polêmico ex-vitória para diretor de futebol o que mais esperariamos de um ¨¨Clube de Futebol¨ quero dizer time de futebol.


    04/10 às 22:15

  • Antonio disse:

    EXCELENTE!!!
    Que lucidez esse jornalista João Carlos. Bom demais sua avaliação:

    “Medianamente administrado, com políticas realísticas em relação ao novo estágio do futebol brasileiro, o Bahia seria um clube auto-suficiente e com um substancial patrimônio físico”.

    Fica claro, também, o compromisso que temos com nosso BAHIA, que segundo ele assim resumiu:

    “Que a torcida do Bahia incorpore o espírito revolucionário dos baianos do 2 de Julho e se una nas ruas, nas praças, pressionando nas rádios, na internet e nos jornais, os incompetentes que afundam um clube glorioso, para estabelecer a grande e definitiva reação, pois o Bahia hoje depende, exclusivamente, do amor e do poder da sua torcida, porque da sua diretoria há longo tempo só tem encontrado traição”.

    Não tenho dúvida de que precisamos estar unidos para promover essa mudança em nosso E.C.BAHIA, através da associação em massa e do esforço de cada Tricolor, participando ativamente da vida do Clube, suas decisões, seus projetos, seu destino. Sem Tricolor não há E.C.BAHIA e sem ele, não há BAHIA.


    04/10 às 22:18

  • Jorge Pires disse:

    PARABÉNS A ESTE GRANDE ESCRITOR BAIANO, JOÃO CARLOS TEIXEIRA GOMES.
    AGORA, VAMOS VER SE A ” CAMARILHA “, TERMO MUITO BEM USADO PELO GRANDE ESCRITOR, ESPANTA ‘eles “.
    AXÉ, GRANDE JOCA.
    A TORCIDA DO BAHIA SE ORGULHA DO SENHOR !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!


    04/10 às 22:55

  • BRUNO disse:

    POUCAS VEZES EU OBSERVEI COMENTARIOS TAO FIEIS SOBRE A REALIDADE DO BAHIA COMO AS PALAVRAS DO ESCRITOR JOAO CARLOS TEIXEIRA GOMES,FOI MUITO FELIZ NAS SUAS COLOCAÇOES E JA ESTA MAIS DOQUE NA HORA DESSES CARAS DEVOLVEREM O BAHIA AO SEU POVO A SUA NAÇÃO! CHEGA DE DESMANDOS,DE ABSURDOS!!!


    05/10 às 10:15

  • Micael disse:

    Isso tudo é verdade mas, o que vamos fazer? Isto é o que ele pergunta a todos nós, vamos mesmo assistir a queda e falência do clube (comletra minuscula mesmo)?


    05/10 às 12:19

  • jorge maia disse:

    perfeito


    05/10 às 19:35

  • Aylton Iassin Filho disse:

    Sobre os comentários feitos pelo escritor eu concordo com muitas delas contudo, eu me pergunto quem é o midas que vai tirar o clube desse buraco, porque pra isso tem que ser mágico. Um clube que está fora da divisão principal desde 2004, sem dinheiro, sem patrócinio e com uma grande parte das viuvas da imprensa contra fazendo a cabeça de uma parte da torcida fica difícil.
    Eu moro em Jacobina e tenho o pacote da série b , não vi nenhum time melhor do que o nosso só que pela análise que eu faço o Baêa não marca e time que não marca não ganha jogo.
    Antes se dizia que não dava vez a oposição agora abriu pro pessoal dizem que a oposição se calou.
    Eu ia me esquecendo, tem um mágico que pode salvar o baêa o nome dele é Rui Cordeiro ele fala e escreve tanto de coisas mirabolantes que eu fico achando que ele tá esperando o circo pegar fogo pra aparecer.

    Saudações tricolores,
    Ailtinho Iassin
    sócio remido nº 1234


    05/10 às 22:06

  • Euclides Almeida disse:

    Fazendo justiça aos oposicionistas que são citados na entrevistas como pessoas que estão se aproximando de Marcelinho… isso está acontecendo porque há uma promessa de se fazer as mudanças que a torcida anseia.

    Estão discutindo o novo estatuto com a implantação de eleições diretas e eleição proporcional para o Conselho. Se realmente isso for concretizado, será um grande passo para o re-erguimento do Esquadrão de Aço, porém se for mais uma enrolação, tenho certeza de que ninguem mais apoiará o deputado.


    08/10 às 8:48
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  • Meu Bahêa ganhou, Jael brocou e o time de Canabrava ainda tomou 2x0?? Que noite é essa, Triconautas!!! Quem tá feliz dá RT \o/ 15 hrs ago
  • E o segundo time da Bahia coloca a primeira mão na taça... de Vice-Campeão da Copa do Brasil. Tomou 2x0 mas mereceu tomar de quatro :))) 15 hrs ago
  • EXTRA! EXTRA! Visitante internacional ilustre foi visto na VIla Belmiro >> http://twitpic.com/29kkdr (Via @RaquelCL) #BahiaDeTodosOsSantos 17 hrs ago
  • Bóra, BahêêÊÊAAAAAAA >> [NORDESTÃO] Bahia venceu o Confiança/SE por 2 x 1 >> VEJAM LÁ QUEM BROCOU!!! E COMENTEM!!!!! 17 hrs ago
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