Capítulo sobre o Bahia no Livro LITERATURA FUTEBOL CLUBE

“O Esporte Clube Bahia tem, sem nenhuma dúvida, uma das mais ricas histórias do futebol brasileiro, porém, muitas pessoas, inclusive torcedores do próprio time, não conhecem os detalhes mais interessantes.

Diante disso, quando fui convidado para escrever um texto sobre o Esquadrão de Aço para o livro LITERATURA FUTEBOL CLUBE, não pensei duas vezes, afinal, seria uma bela oportunidade de exaltar a riqueza de um clube que retrata a alma de um povo”.

20 de fevereiro de 2012.

(Euclides Almeida)

 

LITERATURA FUTEBOL CLUBE

 

NASCEU PARA VENCER

Antes mesmo de existir, o Bahia já era vencedor…

No início da década de 30, a extinção dos plantéis de futebol dos clubes Baiano de Tênis e Associação Atlética da Bahia, equipes mais poderosas da época, abalou o meio esportivo baiano.

A inusitada situação deixou diversos bons atletas frustrados, que decidiram montar um time amador para realizarem amistosos pelo interior do estado e pelo subúrbio de Salvador. Batizado com o nome de BAHIANINHO (na época se escrevia com “h” mesmo), a nova equipe estreou aplicando uma goleada de 4×0 em cima do São João Futebol Clube e assim seguiu sua curta e vitoriosa trajetória sem conhecer o gosto amargo de uma derrota sequer.

O sucesso gerou uma onda de entusiasmo e, no dia 01 de janeiro de 1931, os responsáveis pelo time amador Bahianinho resolveram fundar um clube para disputar competições oficiais com o mesmo nome e as mesmas cores do estado da Bahia.

Já filiado à Liga Bahiana de Desportos Terrestres, o “Sport Club Bahia” (como era escrito na época) disputou sua primeira partida em 01 de março de 1931, quando enfrentou e venceu o Ypiranga por 2×0, com gols de Bayma e Guarany. O jogo valeu pelo Torneio Início, que, na sequência, foi conquistado pelo time que acabara de nascer.

No mesmo ano de fundação, além do Torneio Início, o time azul, vermelho e branco conquistou também o Campeonato Baiano, ou seja, venceu, logo de cara, as duas primeiras competições que disputou… dando origem ao slogan que o acompanha até hoje: “Nasceu para Vencer!”

 

PAPÃO DE TÍTULOS ESTADUAIS

O Esquadrão de Aço seguiu sua trajetória vencedora conquistando títulos e mais títulos estaduais e, logo em sua segunda década de existência, já era o maior vencedor do estado. Só pra se ter uma idéia, na década de 70, conseguiu vencer o Baianão por 7 vezes consecutivas… hoje tem 43 * conquistas, quase o dobro de seu maior rival.

* Após o lançamento do livro, o Bahia foi campeão baiano e chegou à sua 44ª conquista.

 

O PRIMEIRO CAMPEÃO BRASILEIRO

No Brasil, até a década de 50, os clubes só disputavam certames estaduais. Como estava sendo criada a Taça Libertadores da América e o nosso país não tinha um torneio nacional, a C.B.D. (antiga C.B.F.), através da iniciativa de seu presidente João Havelange, resolveu criar a Taça Brasil para apontar o primeiro campeão brasileiro e, consequentemente, o primeiro clube a disputar a competição sulamericana… e essa honra foi do ESPORTE CLUBE BAHIA, que venceu o poderoso Santos de Pelé e conquistou a Taça Brasil de 1959.

E mais, o primeiro ARTILHEIRO brasileiro foi do Tricolor da Boa Terra. O nome dele era LÉO BRIGLIA, nascido em Itabuna/BA, que marcou 8 gols na vitoriosa campanha de 1959.

 

O MAIOR DO NORDESTÃO!

No ano de 1987, o futebol brasileiro vivia uma enorme crise e, para combater o poder da C.B.F. (Confederação Brasileira de Futebol), os grandes times brasileiros resolveram fundar uma LIGA, que foi batizada com o nome de CLUBE DOS 13.

O grupo, ao ser criado, foi composto dos 4 maiores times do Rio de Janeiro, dos 4 maiores de São Paulo, dos 2 mais importantes do Rio Grande do Sul, dos 2 principais de Minas Gerais e apenas uma agremiação da região Norte-Nordeste do país: o Esporte Clube Bahia, é claro!

A escolha não foi por acaso, pois o Tricolor da Boa Terra sempre foi o detentor da maior torcida e da maior galeria de títulos da região.

 

BI-CAMPEÃO BRASILEIRO

Em fevereiro de 1989, o Esquadrão de Aço conquistou o bi-campeonato brasileiro de forma brilhante, jogando a grande final em pleno estádio da Beira-Rio lotado, diante da fortíssima equipe do Internacional de Taffarel e Cia.

A equipe comandada por Evaristo de Macedo do lado de fora do campo e por Bobô, Zé Carlos, Ronaldo, Charles e Cia dentro das quatro linhas deu um verdadeiro show e encheu de orgulho a imensa Nação Tricolor espalhada pelos quatro cantos do mundo.

 

PERÍODO NEGRO SÓ FEZ AUMENTAR A PAIXÃO

O Bahia viveu o pior período de sua história no final da década de 90 e na primeira década do terceiro milênio. Sofreu três rebaixamentos (sendo duas vezes para a Série B e uma para a Série C), amargou um longo jejum de títulos, perdeu sete torcedores no desabamento de parte da arquibancada na tragédia da Fonte Nova, ficou jogando no interior do estado por mais de um ano até que fosse feita a ampliação e reforma do estádio de Pituaçu, atual mando de campo tricolor.

Ainda assim, a torcida do Bahia, mesmo vendo seu time na Série C, foi responsável pela maior média de público do Brasil contando todas as divisões do Campeonato Brasileiro.

Aos trancos e barrancos, com o clube praticamente falido, subiu da Série “C” para a “B” em 2007 e, finalmente, em 2010, depois de sete anos afastado, voltou para a elite do futebol brasileiro. Foi uma verdadeira comoção nacional, todo o Brasil se rendeu à fantástica Nação Tricolor que lotou os estádios e os aeroportos na campanha do acesso e, merecidamente, recebeu o título de TORCIDA DE OURO, dado pela Confederação Brasileira de Futebol.

Hoje, de volta ao lugar de onde nunca deveria ter saído, o Esporte Clube Bahia busca retomar seu lugar de destaque no cenário nacional. Sua imensa e fiel torcida continua lotando as arquibancadas, tendo obtido a 2ª melhor média de público do Brasileirão 2011, mesmo tendo que atuar em um estádio com capacidade para apenas 32.157 pessoas.

 

PERSPECTIVAS DE PROGRESSO

O Esporte Clube Bahia está, aos poucos, retomando o seu lugar de destaque no cenário nacional. Está iniciando a construção de um novo Centro de Treinamento com uma área quase três vezes maior do que o atual. Será parceiro do grupo Arena Fonte Nova na administração do novo estádio, que atenderá aos exigentes padrões da FIFA. Fechou parceria com a maior fornecedora de material esportivo do mundo. Voltará a disputar uma competição internacional depois de mais de vinte anos, dentre outras coisas…

Para completar esse processo de recuperação de sua grandeza, só falta que os dirigentes deixem de utilizar os arcaicos métodos políticos e iniciem, verdadeiramente, um processo de democratização do clube, incentivando uma campanha de associação em massa de sua fiel e imensa torcida. Dessa forma, com mais esse importante incentivo financeiro, o Esporte Clube Bahia voltará a brigar por títulos nacionais e internacionais.

 

UMA VERDADEIRA RELIGIÃO

Torcer para o Bahia é algo realmente mágico, dificílimo de descrever… até um documentário já foi feito para tentar explicar o real significado dessa paixão, aliás não foi só filme, mas peça de teatro, livros, músicas, poesias, pinturas e tudo que se possa imaginar.

O torcedor do Bahia se relaciona com seu time da mesma forma que uma mãe se relaciona com seu filho, dando muito amor, mas também dando bronca, brigando, criticando… mas, não aceita, de forma alguma, que outra pessoa faça a mesma coisa.

Quando o Bahia perde, a coisa mais comum de se ouvir da boca de seu torcedor é que não vai mais ao estádio: “QUE TIME É ESSE? ESTÃO PENSANDO QUE SOU O QUÊ? NÃO VOLTO AQUI TÃO CEDO!!”. Não acredite nisso, é a maior mentira do mundo, é só da boca pra fora… Não tenha dúvida de que essa mesma pessoa será a primeira a comprar o ingresso do próximo jogo do Esquadrão de Aço.

 

Os símbolos do Esquadrão de Aço, por exemplo, são idolatrados pela sua torcida:

A camisa do primeiro campeão brasileiro é um manto sagrado e é a segunda pele de seu torcedor, que é capaz de vesti-la em qualquer ocasião, desde batizado até casamento. Todo ano se cria uma expectativa enorme para ver o lançamento do novo uniforme do Bahia, parecendo até a apresentação de algum novo contratado.

O escudo é venerado, é beijado e até mesmo tatuado na pele como prova do amor eterno.

O hino é uma verdadeira reza para seus torcedores, quando é tocado todos param, cantam e se emocionam. Já foi cantado em diversos ritmos e por diversas vozes como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa, Maria Bethânia, Ricardo Chaves, Bell do Chiclete, Cláudia Leitte, Luiz Caldas, Tomate, Armandinho, Moraes Moreira, Tuca Fernandes e muitos outros.

As cores azul, vermelha e branca são as mesmas da bandeira do estado, assim como o nome, motivo de orgulho para os legítimos baianos e para quem curte e admira a linda Bahia.

É assim a relação da Nação Tricolor com o Esporte Clube Bahia, uma relação de amor incondicional, que chega até mesmo a ser louca, irracional, mas que enche de orgulho o coração de cada apaixonado torcedor que se une ao seu time eternamente, ao nascer, recebendo seu primeiro manto sagrado e, ao morrer, sendo envolvido pela bandeira tricolor.

Para o verdadeiro tricolor, não existe tempo ruim: Na tristeza e na alegria, SEMPRE BAHIA.

 

MINI BIOGRAFIA DO AUTOR

O arquiteto EUCLIDES Antonio Vieira de ALMEIDA, que é louco por futebol e apaixonado pelo Esporte Clube Bahia, coleciona a história tricolor e adora escrever sobre o seu time do coração. É um dos criadores do www.semprebahia.com, um portal interativo com notícias e curiosidades e que está sempre presente na vida do primeiro campeão brasileiro.

E-mail: euclidesalmeida@semprebahia.com
Twitter: @euclides2000
site: http://www.semprebahia.com
Twitter: @semprebahia

 

Fonte:

Capítulo da Coletânea “LITERATURA FUTEBOL CLUBE”, publicada em maio de 2012 pela Editora Multifoco.
Autores diversos falando sobre os maiores clubes do Brasil.

Autor do capítulo sobre o Esporte Clube Bahia: EUCLIDES ALMEIDA

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