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  • A arte de jogar bola (por Sandro Roberto Santa Bárbara)

A Coluna FALA TRICONAUTA é democrática, onde todas as correntes de pensamento poderão opinar, desde que não existam ofensas pessoais e haja um mínimo de respeito e decência nas entrelinhas, além de ser um texto interessante, é claro!
Vamos lá, estamos aguardando seu texto, mande pra gente no endereço semprebahia@semprebahia.com e escreva no corpo da mensagem: “Autorizo a publicação desse texto na Coluna Fala Triconauta do site SEMPREBAHIA.COM”. O texto estará sujeito à nossa edição.


21/10/2011 - 19:44  Por: Fala Triconauta

A arte de jogar bola

Escrevo este texto motivado pelo texto escrito por Pedro Ramalho e a discussão gerada pelos mesmos, autor e texto. Gostaria, entretanto que os amigos apreciassem inicialmente um trecho da obra Futebol ao sol e a sombra do escritor e jornalista uruguaio Eduardo Galeano:

“O jogo se transformou em espetáculo, com poucos protagonistas e muitos espectadores, futebol para olhar, e o espetáculo se transformou num dos negócios mais lucrativos do mundo, que não é organizado para ser jogado, mas para impedir que se jogue. A tecnocracia do esporte profissional foi impondo um futebol de pura velocidade e muita força, que renuncia à alegria, atrofia a fantasia e proíbe a ousadia. Por sorte ainda aparece nos campos, embora muito de vez em quando, algum atrevido que sai do roteiro e comete o disparate de driblar o time adversário inteirinho, além do juiz e do público das arquibancadas, pelo puro prazer do corpo que se lança na proibida aventura da liberdade”.

Para os amantes da arte jogada com os pés (e, às vezes, com as mãos também, pois não cansamos de admirar os goleiros da história deste esporte) o futebol é compreendido como uma forma de romper barreiras sociais e culturais. O que seria de nós sem jogadores como Garrincha, Didi, Baiaco, Adílio, Andrade, Vladimir, Reinaldo (Atlético mineiro), Naldinho e outros tantos que preencheram (pois se continuasse escreveria um texto só com nomes de jogadores com esta característica) a nossa retina com as lutas que enfrentaram para que pudessem romper a barreira do preconceito.

Para estes, o futebol não foi só um meio de ganhar a vida, de busca para melhorar a sua condição sócio-econômica. Ainda que inconscientemente, em alguns casos, o esporte bretão tenha funcionado como uma poderosa arma contra a intolerância sócio-econômica e racial. Este esporte propicia e propiciou ao longo da sua história oportunidades de libertação mesmo que sob restrições, pois o número de jogadores que “estouram” ainda é muito pequeno quando comparado a quantidade enorme de jogadores que não são conhecidos da grande mídia.

À medida que pessoas sem a devida sensibilidade para com o futebol foram tomando conta da administração deste, as cores da alegria foram se tornando menos alegres. Antes que os mais gaiatos se manifestem digo que não estou fazendo apologia para que o futebol seja apenas jogado por negros, mas apenas faço referência de como esta alegria também contagiou e inspirou jogadores como Zico, Sócrates, Falcão, Platini, Maradona, Rivelino, Pita e etc.

Hoje temos uma profusão de esquemas táticos. Existem aqueles que sustentam que esta profusão já existia, porém a inflação de craques nos cegava a ponto de não darmos muita trela para a organização tática do nosso clube. Os treinadores adaptavam os esquemas táticos aos atletas e não os atletas aos esquemas táticos como ocorre hoje, em particular no Brasil.

Para alguns a forma de jogar da Holanda dos anos 70 talvez tenha iniciado este processo de variação da tática no futebol, para outros as seleções brasileiras da copa de 1958 e a da copa de 1970 também devem ser apreciadas como equipes que inovaram na arrumação tática sempre aliada à técnica e habilidade dos jogadores. É verdade que a velocidade deste jogo que amamos aumentou muito do período acima retratado até os nossos dias. É quando A bola corre mais que os homens nome dado à obra do professor e antropólogo Roberto DaMatta, nos ajuda a compreender o futebol como um negócio de bilhões de dólares e amado igualmente por bilhões de seres humanos, todavia, administrado por um grupo bem pequeno de pessoas.

E, em razão da transformação do futebol em um negócio as conseqüências advindas podem ser vistas no jogo burocrático, pegado e sem muita inspiração apesar de jogadores como Romário, Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho, Zidane, Neymar e Messi. Gostaria de acrescentar a frase “e outros” aos jogadores que fiz referência, mas creio que cometeria uma heresia adicionando nomes de bons jogadores que não considero craques como Robinho, Cacá, Cristiano Ronaldo, Luis Fabiano, Pato e muitos outros.

Mas, justamente por ser o futebol ser o futebol é que todos os dias somos tomados por esperança de que a magia que lhe reveste volte a existir de maneira plena. Pois sonhar sempre é preciso assim como navegar…

Sandro Roberto Santa Bárbara
Leitor do www.semprebahia.com



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  • 7 Comentários



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  • Guimalde disse:

    Pedro, se a Holanda tivesse ganhado a compa de 74 o futebol arte estaria reinando até hoje.


    21/10 às 21:41

  • A arte de jogar bola (por Sandro Roberto Santa Bárbara) disse:

    [...] A arte de jogar bola (por Sandro Roberto Santa Bárbara) outubro 22nd, 2011 | Autor: admin Submarino.com.br [...]


    22/10 às 1:00

  • SOARES disse:

    FUTEBOL ARTE SEMPRE, E BONITO COMO EU JOGAVA, UM FUTEBOL, ALEGRE, NAO COMO E SE JOGADORES PENA DE PAU. CHEIO DE BOMBA, PARECE UM ROMBO COPY, NAO TEM TEMPO DE BOLA, NAO SABE BATE NA BOLA COM EFEITOS, NAO SABE BATE PENALTI COM CATEGORIA. FUTEBOL E ALEGRIA DIRBLE FUTEBOL E ARTE, E COMO FAZ UM QUADRO COMO DE PONTINARY!!!


    22/10 às 9:30

  • Sandro Santa Bárbara disse:

    Guimalde,

    Não só a Holanda de 74, mas também o Brasil de 1982. Até hoje sofro quando assisto ao tape de Brasil 2 x 3 Itália. Mas, fazer o quê? Bola pra frente. E amanhã:

    BORA BAHÊA MINHA PORRA!


    22/10 às 10:06

  • Pedro Ramalho disse:

    Parabéns, Sandro, o que queremos resgatar é apenas o futebol, um jogo que o objetivo maior é o gol …Abração , Pedro Ramalho..


    22/10 às 15:38

  • Sandro Santa Bárbara disse:

    É isso ai Pedro. E amanhã esperamos que o nosso Bahia faça muitos gols para vencer o Vasco em Pituaço. Outro abração para você. Saudações tricolores.


    22/10 às 17:12

  • Dias disse:

    É isso ai professor, mais uma dos capitalistas não é?
    Se até nas religiões o capitalismo tomou forma (não que eu ache correto), porque no futebol seria diferente?
    Mas é isso ai! Por que não continuar acreditando que pela magia que nos envolve o desejo de algo poderá ser realizado.
    Um abraço!


    29/10 às 21:05
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